Gil Vicente

Calcula-se que nasceu por volta de 1465 e que morreu por volta de 1537.
É considerado o pai do teatro português porque até aí as representações teatrais eram rudimentares, baseando-se sobretudo na mímica e em desfiles de personagens, sem a consistência que o nosso dramaturgo lhes iria imprimir.
Convém não esquecer a sua actividade como poeta, e disso nos dá conta o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Sobre a sua pretensa profissão de ourives,  faltam provas que evitem cairmos na especulação.
Mas é como dramaturgo que ele se notabiliza, mantendo uma actividade que se prolonga durante mais de trinta anos. A sua primeira obra, Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro, é representada em 1502, para celebrar o nascimento do príncipe D. João, mais tarde D. João III, e a última, Floresta de Enganos, em 1536.
A produção prolífica vicentina deve-se em parte à fortuna que teve em ter vivido numa época de ouro da nossa História, tendo beneficiado da protecção da rainha D. Leonor, viúva de D. João II.  Mas também em viver numa época charneira, na fulgurante inventividade nascida da passagem da Idade Média para o Renascimento.
As peças eram encomendadas para dias especiais: festas de Natal, nascimentos, casamentos, entradas e saídas de reis e rainhas, cujo público era da corte.
Das obras vicentinas há a destacar, pela sua importância e pelo facto de fazerem parte dos programas do ensino, 
Auto da Barca do InfernoAuto da ÍndiaFarsa de Inês Pereira e Auto da Alma.
A adesão e actualidade das suas obras deve-se, por um lado, ao facto de serem primeiro experimentadas em palco e só posteriormente serem registadas. E por outro lado, por conterem personagens universais e evocarem tramas relacionais que fazem parte de todos os tempo.

A espontaneidade, o pitoresco, a linguagem, a vivacidade resultam desse trabalho que passa primeiro pela prática, em cima das tábuas, e só posteriormente é passado a papel. A outra característica do teatro vicentino permite o desenvolvimento de tipos. O escudeiro, a alcoviteira, o frade, a menina casadoira, a mãe, o pastor, o velho transportam para a cena os tiques da sua classe, do seu estatuto, da sua profissão, sendo identificados imediatamente pelo público através do vestir, do agir e da linguagem. Nesta perspectiva, e também pelo seu aspecto popular, acaba por influenciar o moderno teatro de revista e algumas dramaturgias atuais mais vanguardistas.
Para além deste tipo de teatro, não se podem ignorar as peças mais eruditas de cariz alegórico e simbólico, onde o Bem e o Mal se digladiam como num jogo de xadrez.
Apesar de Gil Vicente ser um homem do sistema, pago pela corte, as suas obras acabam por criticar os vícios das classes privilegiadas: clero e nobreza. Como explicar esta incongruência? Talvez porque se trata de teatro, de representação, de um jogo, tudo visto como uma ilusão paródica sem verdadeiro sentido crítico. Certo é que, de qualquer modo, as suas peças não escaparam às malhas da censura imposta pela Inquisição.
Todavia, a sua obra perdurou ao longo dos tempos, chegando aos nossos dias e provando que o teatro também faz parte da vida e que a arte é imortal.

© 2017 por Agrupamento de Escolas Gil Vicente. 

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Google+ Social Icon